CĂąncer de mama: o impacto emocional que ninguĂ©m vĂȘ

Receber um diagnĂłstico de cĂąncer de mama Ă©, para muitas mulheres, um divisor de ĂĄguas. AlĂ©m das transformaçÔes fĂ­sicas — cirurgias, quimioterapia, mudanças visĂ­veis no corpo —, o impacto emocional pode ser profundo, mas raramente recebe a mesma atenção. Para a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani, esse diagnĂłstico nĂŁo marca apenas o inĂ­cio de um tratamento mĂ©dico: ele pode desencadear um verdadeiro processo de luto psicolĂłgico, muitas vezes negligenciado por profissionais e familiares. Revista Superação News

Segundo a mĂ©dica, Ă© comum que as pacientes se sintam desconectadas da prĂłpria identidade. Muitas relatam que o tempo parece parar no momento do diagnĂłstico — algumas chegam a “desligar” apĂłs ouvir a palavra cĂąncer, e outras pensam de imediato nos filhos, no companheiro ou nos pais, como se o instinto de proteger os outros falasse mais alto do que o cuidado consigo mesmas. Revista Superação News

Medo, raiva, tristeza, culpa e negação aparecem com frequĂȘncia. HĂĄ quem se culpe por nĂŁo ter notado antes os sinais do corpo, e quem se cobre por nĂŁo conseguir manter a tal postura “positiva” que a sociedade espera. A psiquiatra Ă© categĂłrica ao desmontar essa pressĂŁo: “Força nĂŁo Ă© segurar o choro ou fingir que estĂĄ tudo bem”. Para ela, força Ă© permitir-se sentir, pedir ajuda e descansar quando preciso — e cada mulher reage de um jeito, todas as reaçÔes legĂ­timas. Revista Superação News

Uma das mensagens centrais do trabalho da Dra. Caliani Ă© que a mulher nĂŁo deixa de ser quem Ă© por causa do cĂąncer. Ela continua sendo a pessoa que ama dançar, que gosta de filmes bobos, que torce por um time e que sonha — o tratamento pode afetar o corpo, mas nĂŁo deve apagar a identidade. Por isso, a mĂ©dica recomenda manter pequenas rotinas que reconectem a paciente com sua essĂȘncia, como ouvir mĂșsica, cozinhar, dançar ou ler, ainda que em pequenas doses.

O apoio profissional Ă© outro pilar. Cuidar da saĂșde mental, reforça a psiquiatra, faz parte do tratamento — e a paciente nĂŁo deve caminhar sozinha, sobretudo quando sentimentos como desesperança e angĂșstia se tornam frequentes. PsicĂłlogos e psiquiatras ajudam a organizar o turbilhĂŁo emocional, a construir estratĂ©gias de enfrentamento e a fortalecer a autoestima nos momentos mais delicados. Para quem acompanha alguĂ©m nesse processo, a recomendação Ă© de presença empĂĄtica, sem cobrança por positividade: Ă s vezes a melhor ajuda Ă© segurar a mĂŁo, assistir a um filme junto ou simplesmente estar ali. Se faltarem palavras, vale a honestidade — dizer “nĂŁo sei o que dizer, mas estou aqui”.

No mĂȘs do Outubro Rosa, marcado por campanhas de prevenção e diagnĂłstico precoce, a especialista lembra que acolher o impacto emocional Ă© tĂŁo importante quanto a informação tĂ©cnica. A mensagem que ela faz questĂŁo de deixar Ă© de esperança: o cĂąncer entra na histĂłria daquela mulher, mas nĂŁo Ă© o fim dela — ela segue com o direito de sonhar, amar e viver, nĂŁo apenas sobreviver.

Se vocĂȘ ou alguĂ©m prĂłximo enfrenta o diagnĂłstico e sente o emocional abalado, vale buscar apoio psicolĂłgico — muitos hospitais e centros de oncologia oferecem serviços de psico-oncologia. Para apoio emocional gratuito, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo 188, 24 horas por dia.

Fonte: Revista Superação News – “CĂąncer de Mama: Psiquiatra alerta sobre os impactos emocionais que ninguĂ©m vĂȘ” — com a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani.

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